segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Desconstruir.... - evolução e (ou) criação? - II parte - 09/09/2007

Textos inéditos, proibidos para alunos de filosofia.
Para entender o texto leia o capítulo I
II CAPÍTULO
Iniciando este segundo capítulo se faz necessário argumentar sobre a parafrase do capítulo anterior, repito a mesma:

«todo o conhecimento humano, adquirido desde a fundação do mundo, foi dispersado em diversas ciências, sendo que cada ponto deste conjunto de saberes foi estudado separadamente durante mais de 2.000 anos e a dispersão dificultou a compreensão da verdade»

A afirmação eclética acima, tanto quanto dogmática, é estritamente necessária para o processo de desconstrução e mesmo que o processo pareça incompreensível a princípio, ficará mais claro no terceiro e quarto capítulo.

Vamos pouco a pouco expondo a metodologia, como estamos tentado mostrar neste capítulo, tomando a direção de um estudo holístico que se definirá no percurso. Assim, para explicar o axioma acima é necessário compreender como se formou a base do conhecimento humano. Portanto, dividiremos este conhecimento em: individual, coletivo de base e o coletivo em permanente evolução.

Então aqui temos:

1 - Conhecimento coletivo humano - assimilado na raíz (formação) da sociedade humana.

2- Conhecimento individual - entre o homem e o meio onde vive.

3- Conhecimento coletivo permanente - em evolução contínua.

Seguindo no caminho da assimilação do conhecimento devemos saber que : o conhecimento pode ser objetivo e subjetivo. O conhecimento objetivo está apoiado na verdade. Ele requer dados de apoio. Já o conhecimento subjetivo se apoia no pensamento. Mas ambos necessitam da consciência para fazer as comparações necessárias para deduções finais. Entender todo o processo cognitivo necessita saber o que é consciência individual e consciência coletiva. Deixemos aqui a consciência moral que será explicada mais à frente. Neste segundo capítulo faremos uma análise do homem que foi pouco a pouco sociabilizando-se.

Partimos do princípio que a sociedade humana existiu em grau ascendente, obviamente sem discutir se o seu aparecimento foi singular ou plural. Mais à frente veremos isto. O que nos interessa agora é imaginar uma situação real, para compreender o processo cognitivo. Esclarecendo que não é possível desconstruir sem conhecer o que se vai desconstruir.

Imaginemos os primeiros grupos de humanos: homens e mulheres que usam a água em abundância e pode-se dizer como Tales de Mileto (625-558 a.C.) "no princípio era a água". A água que é útil mas causa medo; a água que mata e o homem teme os rios profundos, teme as grandes enxurradas. Este homem teme também o próprio homem e os animais selvagens. Para defender-se, ele vive em grupos pequenos, formado pelo clã familiar.

Aqui já percebemos a ação do conhecimento individual; o homem descobre suas necessidades pessoais, vê ao seu redor o convite social, pesa suas necessidades de estar em grupo, se integra no grupo para defesa pessoal; em grupo ele fica mais protegido e esta interação em grupo impulciona o conhecimento coletivo.

O fogo foi a grande descoberta deste homem e mudou o rumo da sua história. O fogo protegia contra invasão de animais selvagens, era um purificador de cavernas, espantava morcegos, purificava as habitações. O fogo também fazia medo. Se mal usado, podia matar o homem, podia destruir a floresta, sua reserva de alimentos. E quando caído do céu, o fogo era ainda mais perigoso.

Vemos, nestas poucas linhas que este homem primitivo já tinha quatro motivos de temor: a água, os animais, o próprio homem e o fogo. Mas os três interagiam entre si. O homem precisava dos outros homens, porque sozinho não sobreviveria. Ele precisava da água e do fogo e dos animais. Esta interação de elementos, homem, água, fogo e animais, formavam a base necessária para o aparecimento da razão. Veja: o clã familiar, a linguagem começando, as primeiras ferramentas rudimentares sendo inventadas, a interação social, enfim, o homem pensava. Ele sentiu que o pensamento era também uma arma, como é hoje para nós. Bem mais tarde disse Descartes "penso, logo, existo". O homem enfim tomou consciência de sua existência.

Como o saber não era o mesmo em todos so clãs, as comparações se faziam presentes e despertavam contendas. A comparação dos saberes de cada clã entrava em choque, exatamente como acontece na era contemporânea, nas guerras que se estendem desde o começo da humanidade. As disputas se definiram irrevogáveis.

Cada clã desenvolveu o saber com os instrumentos do meio onde viveu. Como exemplo simples podemos ver que os clãs da Grécia aprenderam a filosofar, outros clãs apegaram-se a escrever a história dos homens a seu modo e nasceram os textos Bíblicos, enquanto outra parte da humanidade permanecia em estado quase estacionário.

Fica claro deduzir que, ao tentarmos juntar clãs de raízes diversificadas teremos guerras. Estes clãs, defendiam e defendem seus interesses e impedem que outros conhecimentos venham jogar por terra o que eles assimilaram ao longo da história de cada um deles. Neste ponto vemos que a história de cada clã acaba por ser sua verdade absoluta. Ela tem teoria baseada na verdade; tem provas materiais desta verdade; tem testemunha ocular e com a descoberta e aplicação da escrita, esta história tem futuro permanente.

Neste ponto podemos ver que a história de cada clã contém a identidade do clã. Bom, identidade tem relação com vida social, direitos e deveres. Mais genericamente falando, identidade influi no processo psicológico de equilibrio individual e coletivo. Assim, os clã e membros dos clãs, necessitam preservar suas identidades para manter o clã unido. Não admite-se agrupamento com outros clãs que tenham praxis opostas. Quanto mais diversificados, mais os clãs tendem ao desmembramento, ou perda da identidade de origem. Neste caso, cada clã fundou suas próprias ciências baseadas nas suas próprias vivências, onde novas idéias são vistas com desconfiança.

Como exemplo de separação no grupo de conhecimento coletivo: a ciência separada da religião; os clãs que hoje são países, onde a maioria tem medo da globalização; os grupos humanos, cada um com suas próprias ideologias. Esta subdivisão desce até a familia, núcleo básico do clã. E para entedermos melhor o disperçamento dos saberes, analise a família de hoje: o irmão que decide ser médico, enquanto outro irmão vai ser padre...e assim chegamos de volta ao conhecimento individual.

Ainda voltaremos a estes enfoques com outras características, conforme o estudo for aprofundando-se. No entanto ficam as perguntas para continuar a mesma linha de pensamento:

1 - Onde entra a "criação", na "evolução" social, descrita neste segundo capítulo?

2- Esta "dispersão" (ideologias distintas, dispersadas em clãs distintos) apresentada aqui, foi casual, no contexto da origem da vida?

3- O que aconteceu entre o período de formação da terra e a formação dos primeiros clãs?

Como observação advirto que a seguir iremos desconstruir uma grande parte deste segundo capítulo.

Fim do II capítulo: em 09/09/2007